Eu estava aqui pensando enquanto tomava o meu café: É muito louco que muita gente ainda não compreendeu a diferença entre ser irrelevante para algumas pessoas e ser considerada e respeitada por outras. Muitas vezes a gente está presa em um padrão tão torto e tóxico, que acaba compreendendo uma fala construtiva como ataque pessoal e uma gentileza disfarçada, ou um ataque disfarçado de cuidado. Afinal, muita gente manipula o outro exercendo um controle que vem disfarçado de preocupação e carinho.
É muito fascinante de uma certa maneira perceber como muitas vezes, a pessoa usa uma postura de grandiosidade para se blindar das próprias inseguranças, ela busca ter uma importância e uma relevância na vida dos outros que simplesmente não existe! Acredita que tudo é sobre ela, que um simples "A" é uma indireta, que uma foto bacana é para causar inveja nela, e que o outro faz de tudo para atacá-la. E assim ela fica, presa nesse monólogo dentro da própria mente.
Nesses dez anos de terapia, eu acabei compreendendo esse mecanismo do outro e percebi que, muitas vezes, é uma forma de tentar fazer você morder a isca, de puxar uma discussão e te ferir só para se sentir bem consigo mesmo. Na faculdade, aprendi sobre o conceito de corte, e isso tem me feito muito bem, inclusive para analisar e filtrar as coisas. Algumas pessoas não compreendem que nem sempre quando João fala de Francisco, é sobre João que ele está falando...
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Na terapia, compreendi que muitas das minhas posturas são sobre mim, mas dizer o que me incomoda nem sempre é afinal, se eu comunico o que me afeta, cabe ao outro refletir sobre as próprias atitudes. Entendi que nem sempre preciso me adaptar ao outro, pois muitas vezes ele está apenas repetindo padrões, mantendo um círculo social moldado puramente às suas vontades e sem empatia. Nessas relações a convivência é pautada apenas no umbigo da própria pessoa, que acaba buscando ao seu redor apenas quem lhe diga "amém".
Aprender a dizer não é algo bem difícil, mas quando você aprende, é de uma certa maneira extremamente libertador! E tive que aprender outra coisa importante: o "não" nem sempre precisa ser verbalizado, ser permissivo demais também é uma forma de toxicidade, precisei aceitar isso na prática. Compreender que quando alguém te enxerga em pé de igualdade, essa pessoa não quer nada de ti foi um verdadeiro desafio. Por muito tempo, estive acostumada a ser preterida, a ser colocada sempre abaixo, e quando eu ascendia um pouco, recebia rejeição. Então por anos, me anulei para não crescer e caber.
Quando me afastei do ambiente social ao qual pertencia, mesmo diante dos desafios e problemas, percebi como a minha vida começou a andar, até a terapia que muitas vezes parecia estagnada, fluiu. Enxergar o outro em pé de igualdade não significa carregar similaridades, mas perceber que qualquer pessoa, dentro de um conceito de bom-caratismo, merece andar ao seu lado, jamais atrás ou à frente. Cada um tem o seu espaço/processo e merece alcançar o que deseja, isso é um fato.
Mas também assumir a parcela de responsabilidade pela mudança é primordial, pois é muito confortável viver no eterno papel de vítima, quando o verdadeiro algoz é você mesmo. Não falo daquilo que não tivemos escolha de vivenciar, mas sim, das escolhas que fazemos por acreditar que é o outro que tem que se adaptar à nossa ótica e realidade, e não nós que temos o compromisso conosco de desfazer padrões, reconhecer feridas e mudar.
A mudança é algo áspero, agridoce e nem sempre teremos alguém por perto para nos apoiar. Aliás, em muitos aspectos, isso envolve apenas nós mesmos. Mas quando percebemos o que a transformação faz em quem nos tornamos, é algo muito, mas muito satisfatório!
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