18/08/2026

Dungeons & Blogs : A gente começa aos poucos

‧₊˚ ☁️⋅♡𓂃 ࣪ ִֶָ☾. 

Eu já refiz esse texto algumas vezes...mas não é sobre conduta biker ou coisas de motoclube que eu vou falar. Porque primeiro, eu nunca fiz parte de motoclube, segundo, eu acho que falar o óbvio sobre condutas na estrada, condutas com os seus colegas de motociclismo, é meio que falar assunto batido.Então eu, como uma pessoa com depressão, vou falar pra vocês o que andar de moto causa em mim. Então, se você chegou até aqui, se leu até aqui, mete marcha e bora lá continuar o texto.

Eu perdi uma amiga, como eu disse no meu Threads , que era muito mais biker do que muito cara com custom.E eu fiquei sem montar numa moto de 2010 até 2024, quando a gente alugou uma Shadow no final do ano e fizemos pequenas viagens. Foram viagens curtas.E agora eu adquiri uma Shadow 600.

O que andar de moto causa em mim?

Eu não posso pilotar por enquanto por conta da saúde mental, as crises vêm sem avisar. Então, por enquanto, eu sou garupa.Mas quando eu peguei a minha moto em Minas Gerais, chegamos em casa, eu nem troquei de roupa e subi na moto, peguei o capacete e a gente andou pelo bairro. Isso me deixou tão feliz… uma pessoa que fazia meses que se esforçava pra sair do portão pra fora!Como eu disse, questões de saúde mental não avisam quando vão chegar.

No final de semana seguinte, a gente foi pra uma cidade perto, não dá meia hora de viagem, mas foi tão gostoso o percurso, ver carros antigos na estrada, outras motocicletas, outros motociclistas.E no dia seguinte a gente fez a mesma coisa, só que no sentido contrário, em outro rolê. Fazia um bom tempo que eu não dormia bem, que eu vivia cansada, passava o dia cansada, ansiosa, acelerada, pesada.E só esse pequeno percurso que fizemos fez a diferença.

Então eu paro pra pensar que tem gente que bate no peito e fala: “eu sou foda porque fiz uma caralhada de quilômetros de viagem”.

Fonte

Como eu escrevi no mesmo threads, é elitismo isso. É sacanagem falar que uma pessoa não é digna por causa de uma cilindrada de moto ou por ela fazer poucos quilômetros.Às vezes a rotina dela não permite que ela faça mais. Às vezes o financeiro dela não permite que ela faça mais. E ela vai ser menos por isso? Não.Se você faz por obrigação ficar batendo no peito e dizer “eu fiz tantos quilômetros”, não é assim que funciona.

É a sensação que andar de moto causa. A liberdade de ver a paisagem, conhecer, nem que seja a cidade a meia hora da sua, que você nunca foi de carro, mas você sobe na moto e vai.De conhecer outras pessoas que param pra ver a sua moto, mesmo tendo as próprias motos, é isso!E como que uma pessoa que nunca pilotou e pretende pilotar porque sempre gostou, mas não teve oportunidade, vai tirar sua CNH? Como que ela vai pilotar tão longe?

A gente começa aos poucos.

Eu achava que eu não tinha mais essa foto, mas eu já vi essa mobilete mais de uma vez em encontro de motos que eu frequentava na minha cidade. Uma mobilete no meio de duas customs, ou aquele vídeo que circula na internet de uma pessoa numa Pop com guidão seco-sovaco.É a mesma coisa que você falar que uma pessoa que não customiza seu carro antigo não tem um carro antigo, mas sim tem um carro velho.E se a pessoa gosta do carro puro, do jeito que ele é? Ela vai ser menos amante de carro antigo do que a pessoa que coloca um monte de acessórios e customiza tudo?

Os dois vão andar do mesmo jeito. A paixão é a mesma.

Então, pra quem quer começar: começa!Tira sua CNH, compra a moto que você pode comprar e faz a viagem que você pode fazer. Numa padaria a meia hora da sua casa, faz. Começa assim.Depois você vai num chalézinho a uma hora da sua cidade. Depois você faz uma viagem de duas horas pra descer pro litoral. Depois você faz uma viagem de cinco horas pra pernoitar.

E assim vai.

Quando você puder, nas suas férias, você vai fazer uma viagem de dias, de semanas.É assim que começa.Respeito, lealdade e espírito não se reduzem a um colete, cilindrada ou quilometragem!

É a sensação que isso te causa.

Porque pra mim, subir numa moto, além da saudade de quem já não está mais aqui, que me tratou de igual, que me respeitava sempre, é cura.

Então é isso.

Bons ventos e cuidem-se.


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2 comentários:

  1. Meu pai sempre dirigiu moto, e eu sempre AMEI andar na garupa com ele, não sei explicar mas era uma sensação de liberdade fora do normal. No fim ele sofreu alguns acidentes, vendeu a moto, e eu também trabalhei em uma empresa de experiências com moto e soube de muitos acidentes muito tristes, então fico com muito receio de tirar minha habilitação, sabe? Mas fico feliz que você tenha conseguido voltar a andar e que te faça tão bem!

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    1. De fato é uma sensação muito única de liberdade, que só quem anda consegue sentir!Que bacana saber desse lance com o seu pai! Andar de moto é cuidar duplamente, uma vigilância e ir sem pressa pra própria segurança!

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