O estalo veio quando eu não cabia mais em muitas roupas que eu tinha, em uma fase onde financeiramente não era viável mudar o guarda-roupas de uma só vez. Eu já tratava a depressão. A primeira mudança para além de praticar pole fitness e aceitar que eu estava pesando quase 100 kg, foi passar a consumir conteúdo de mulheres plus size com discursos realistas. Comecei a pesquisar lojas que cabiam no meu corpo e no meu bolso, aceitando que meu manequim não era mais 36 e adaptando o meu estilo ao meu peso atual. Muitas vezes pensei em desistir, afinal a ansiedade, a autossabotagem e a depressão não me ajudavam muito! Mas continuei tentando e trabalhando entre idas, vindas e críticas não solicitadas.
Hoje peso 94 kg, ainda cuido da minha saúde mental e confesso que dou uma derrapada na alimentação vez ou outra. Mas mentalmente falando, estou aceitando mais o meu corpo. Há dias em que de fato não me sinto bonita, em que a roupa que planejei não cai bem, mas recomeço até perceber que não estou em desconforto. Em comparação ao período em que eu estava com o "peso bom", eu me sinto mais EU, mais original do que nunca! Buscar outros meios para comprar roupas fora do meio alternativo tradicional me devolveu a criatividade e me fez compreender aquilo que gosto ou não de vestir. Ao invés de parecer um NPC, que cada vez veste algo para se encaixar em um estilo alternativo diferente, eu finalmente me visto de mim mesma!
Se eu pudesse falar comigo mesma lá em 2016, quando comecei definitivamente a terapia e onde estive no auge do meu físico, diria para me afastar de pessoas que diziam o que era bom ou não para mim. No primeiro momento em que minha mãe disse que minhas roupas eram "apertadas demais" e que eu estava "gorda" com 1,65 de altura, 77 kg e fazendo atividade física , ao invés de me calar, teria mandado ela se calar. Mesmo sendo a minha mãe, muitas de suas palavras durante a minha vida foram responsáveis pela minha autoestima.
Eu deveria ter me afastado de amizades nocivas, deveria ter acreditado mais em pessoas que me elogiavam genuinamente, ao invés de dar ouvidos a comentários jocosos e racistas! Quem sabe assim, mesmo com a depressão que me acompanha há duas décadas, eu teria tido um tombo menos dolorido e conseguiria me levantar com mais destreza e rapidez do fundo do poço e da escuridão das minhas emoções, que me autossabotavam.
Teria aprendido a me amar mais cedo. Teria aceitado antes que a subcultura é excludente, sexista, racista, machista e elitista! Teria me comparado menos a padrões, me submetido menos a regras de conduta e curtiria as minhas coisas apenas sendo eu mesma.
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| By @fatbatdana |


Sinto muito que você tenha passado por esses comentários 😔
ResponderExcluirEssa maturidade de saber onde andar e com quem andar só vem com a vida mesmo... mas seria ótimo saber antes pra evitar tanto problema.
Que bom que agora você se conectou mesmo com seu estilo e se sente bem com eles. Ninguém fala do SABOR que é se olhar no espelho e gostar do que vê, né!
Estou sentindo que estou saindo de um buraquinho depressivo que me meti e finalmente estou vendo brilhinhos de novo. É uma sensação tão boa. Super te entendo.
Abração
https://falacatarina.com/blog/
Realmente a frase que fala que “só o tempo ensina ”, anda fazendo muito sentido pra mim nos últimos tempos!Pois é, muito se fala sobre construir ou reconstruir a auto-estima, mas pouco se fala sobre conseguir se encarar no espelho todos os dias!
ExcluirFico feliz Bruna, por você estar saindo do mundo cinza da depressão, é algo que só quem vivencia sabe!
É muito doido como todo mundo acha que pode opinar sobre o corpo e as escolhas de uma mulher ne?
ResponderExcluirE parece que quanto mais a gente se sente fragilizada, mais esses comentários fazem mal.
Eu fico contente de ler que você está mais confiante e confortável em si mesma.
Pois é, é sempre a gente que sofre em todos os aspectos possíveis! É uma luta diária, mas me reconhecer finalmente, tem sido reconfortante!
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