Domingo, 06 de setembro de 2026 - 22:55
Eu terminei de assistir ao Fantástico com meu companheiro, deitamos na cama e não consegui pegar no sono. A mente agitada e como sempre, quando a mente fica assim, sento-me aqui para escrever! Eu ando muito incomodada e isso se reflete em algumas coisas, que não sei se vale a pena relatar aqui, mas notei que as vezes, em que mudei radicalmente meu estilo (2008-2020) ou quando decidi fazer uma limpa em algo (2026), coincidiam com o fato de o autismo (no caso, o meu) estar passando pela minha vida.
Em 2008, fui questionada por duas pessoas, que conviviam diretamente com autistas se eu era. Em uma época em que saúde mental era algo elitizado e muito distante, onde discussões jamais eram pautadas em meios de comunicação! Lá estava eu, amenizando meu estilo alternativo para poder me encaixar.
Na segunda vez (2020), foi quando me deparei com a possibilidade de ser, momento em que eu mesma me reconheci como neurodivergente nesse sentido (mesmo sendo portadora de dislexia, eu não sabia se tratar de uma neurodivergência). Eu me reconheci e deixei pra lá. Não amenizei meu estilo o deixando mainstream, mas me desfiz de peças exóticas e que não necessitavam de explicação para compreender que eram peças alternativas!
Seis anos depois, com uma investigação em andamento sobre meu autismo, eu me vi sentada nesse último sábado (por ter compromisso no domingo), separando roupas que não usava mais, com as quais não me identificava e que, em sua maioria, não me cabiam mais, para doar e presentear. Acredito que, nunca foi sobre o meu desconforto social sobre ser alternativa, eu apenas dei um nome reconhecido para o meu desconforto. Hoje, mais próxima de confirmar algo que 18 anos antes me fora questionado, o desconforto é de me desfazer de tudo aquilo que me propus a abraçar, para mascarar quem eu era (no fundo), coisas que comprei para dizer quem eu era, mas sem gritar o meu nome em voz alta!
Coisas que comprei para me encaixar demais ou de menos, para não ser perturbada na minha “excentricidade”. Agora, me reconheço apenas como: Marcela. E ao escrever isso, eu respirei fundo e acredito que, em mais de uma coisa eu vou recomeçar, pois isso é mais sobre mim mesma do que sobre qualquer outra pessoa!
às 23:07 de 06 de setembro de 2026 | ouvindo Loser do 3 Doors Down.
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