25/09/2026

Um ano fora da bolha...

Depois que voltei da internação, eu doei muita coisa minha, a maioria foram roupas (4 sacos de lixo dos grandes cheios). Não vou entrar em pormenores aqui, sobre saúde mental e o que leva ao consumismo desenfreado, quem nunca teve essa fase, tem que vir aqui e comentar e vender curso. Sarcasmo à parte, eu nem sequer sabia que eu tinha disforia corporal... meu peso sempre foi entre 45 kg e 47 kg antes da depressão, é de família mesmo esse porte físico. Mas ao engordar por conta da depressão, me senti muito perdida em muitos aspectos. Quer queira ou não, há questionamentos e julgamentos alheios e não tem como se esquivar deles, não tem como você não levar para o pessoal estando frágil.

Eu confesso que ainda tenho muitas peças de roupas, mas hoje olho sem culpa. Não me culpo por comprar em lojas que não são muito bacanas, porque eu não tenho escolha. Minha amiga, que trabalha com brechó, me disse em uma conversa que é muito difícil encontrar tamanhos grandes e, quando ela encontra, mal fica em estoque. E bem, quando a gente encontra, quase sempre não é do nosso gosto, pois sim, não é só tingir a peça de preto e fica tudo certo.

Vejo muita gente criticando pessoas alternativas que compram na Shein, mas entre ter uma opção até o 5G a um preço que cabe no bolso do proletariado, e ter uma loja que cobra quase 200 reais em uma peça de lycra que vai até o 3G e tem um caimento ruim, tu acha que vamos para onde? Não estou aqui para discutir esse tipo de pauta, pois sou contra o consumismo desenfreado por pura estética, mas a gente tem que ser bem realista e sair um pouco desse mundinho de discursos lindos de redes sociais e internet no geral.

Uma conversa com a minha amiga, sobre ficar se comparando com base na vida de influencers


Novamente: não vou entrar nos pormenores, mas eu estive dos dois lados: é difícil vestir um corpo que não é padrão, seja ele gordo ou muito magro. Confesso que a internet teve muita influência sobre a minha disforia, me fazendo sentir culpada por comprar de fast-fashion, sendo que era a única opção viável financeiramente. Muito conteúdo que estimula o consumo consciente e a apoiar lojas menores, também é uma tendência consumista! Ficou em espanto? Pois é...

Uma das minhas lojas favoritas, esta que eu consumo desde quando a dona vendia suas criações via Fotolog,  está cobrando a bagatela de 380 reais em uma peça de lycra... olha só que legal. E muita gente se desdobra para pagar esse valor, por conta das influenciadoras de moda alternativa parceiras da loja, que fazem você acreditar que só existe dentro do meio se consumir dessas marcas.

Nesse período de pouco mais de um ano, em que restringi muitas coisas da minha vida virtual, eu comecei a me enxergar como eu realmente sou, com o corpo que eu realmente tenho. Minhas questões sobre emagrecimento dizem mais respeito a ter uma velhice boa, não tendo diabetes ou demência, e fazer exercício físico para não ter que operar os joelhos, do que a me enxergar como uma mulher feia,  algo que minhas amigas dizem incansavelmente que eu não sou. Porque sim, eu era muito insegura comigo mesma, mesmo usando manequim 36/38. Mas sobre isso, não é somente a distorção de imagem que a internet vende: o racismo também me fazia me enxergar de forma distorcida!

Estou longe de estar satisfeita com o meu corpo, pois olhar para ele me faz lembrar da minha depressão severa, mas hoje em dia eu me permito mais, sabe? Me enxergo com mais clareza e gentileza... sem me culpar porque comprei na Shein, já que não quero ficar me sentindo mal por uma roupa que eu jurava ser do meu tamanho,estar apertada demais (por modelagem incorreta), ou por só ter opções de peças com tecidos que esticam e só com um tipo de caimento!

Enfim, foi um texto bem agridoce, mas que eu precisava desabafar!

Meninas que acompanho faz tempo, mesmo quando eu saia do Instagram, procurava as contas delas.
@dancin.kiwi_p1202 & @chemicalyaz

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